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Drauzio Varella faz palestra sobre qualidade de vida e saúde mental para servidores


O médico Drauzio Varella fez terça-feira, 24/10, uma verdadeira aula aberta sobre saúde pública durante a palestra “Qualidade de Vida e Saúde Mental no novo normal”, promovida pela Secretaria de Administração da Prefeitura de Osasco como homenagem ao Dia do Servidor Público, a ser comemorado no próximo dia 28/10. O evento aconteceu no Teatro Municipal Glória Giglio (Avenida dos Autonomistas, 1533, Vila Campesina) e contou com as presenças do prefeito Rogério Lins, secretários municipais, vereadores e dezenas de servidores. A participação se deu mediante inscrição prévia.

Durante entrevista antes da palestra, o médico alertou sobre os desafios de famílias e governos em lidar com o agravamento dos quadros de ansiedade e depressão dos últimos anos, sobretudo após o surgimento da pandemia de covid-19, em 2020, período em que milhares de pessoas ao redor do mundo tiveram que passar pelo chamado “confinamento” social.

“Em 2018, a Organização Mundial da Saúde (OMS) já alertava que a depressão seria uma das principais causas de absenteísmo no trabalho. Depois veio a pandemia, que agravou esse quadro. Hoje, o principal problema é a ansiedade, por conta do período em que houve o isolamento social”.

Para Drauzio Varella, em razão desse agravamento, os sistemas de saúde precisarão rever suas políticas de atendimento voltado à saúde mental. “Será preciso uma mudança na política pública de Saúde para auxiliar essas famílias nesse novo normal. A saúde mental sempre foi o calcanhar de Aquiles do Sistema Único de Saúde (SUS), a saúde suplementar e os planos de saúde também. Nos hospitais, você vai, faz cateterismo e o que mais precisar. Agora, se chega com transtorno psiquiátrico, complica um pouco. Não tem estrutura para isso, o SUS também não. Os CAPS (Centros de Atendimento Psicossocial) funcionam sobrecarregados, porque o número de pessoas com transtornos psiquiátricos hoje é brutal. O SUS tem que se adaptar a essa nova normalidade. E como nós vamos tratar essas pessoas? Se você faz o diagnóstico precoce, como em qualquer doença, fica mais fácil. Uma pessoa com quadro inicial de depressão, os primeiros sintomas, só com psicoterapia você resolve. Agora, aqueles quadros mais estabelecidos precisam de tratamento psiquiátrico. E nós não temos psiquiatras suficientes. O número de psiquiatras no Brasil é pequeno em relação ao tamanho do desafio. E aí você tem que dar medicação, e a disponível no SUS não são as drogas melhores, no geral. E aí como você acompanha essas pessoas? Nós não estamos aparelhados. Isso precisa ter atenção especial do Ministério da Saúde e das secretarias de Saúde dos municípios, porque é um problema muito sério”, alertou.

Em sua palestra, o médico abordou também o uso excessivo das redes sociais, que têm forçado as pessoas permanecerem longas horas focadas em trabalho, esquecendo da vida social, como conversar com amigos e familiares.

Durante o evento, o prefeito entregou ao médico uma placa de homenagem pelos serviços relevantes na área da saúde pública no país e agradecimentos por aceitar o convite para a palestra direcionada aos servidores municipais.




Trajetória

Drauzio Varella é médico cancerologista formado pela Universidade de São Paulo (USP). No início dos anos 1970, trabalhou com o professor Vicente Amato Neto na área de moléstias infecciosas do Hospital do Servidor Público de São Paulo. Durante 20 anos, dirigiu o serviço de Imunologia do Hospital do Câncer de São Paulo e, de 1990 a 1992, o serviço de Câncer no Hospital do Ipiranga, na época pertencente ao Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social (INAMPS).

Foi um dos pioneiros no tratamento da Aids, especialmente do sarcoma de Kaposi, no Brasil. Em 1986, sob a orientação do jornalista Fernando Vieira de Melo, iniciou campanhas que visavam ao esclarecimento da população sobre a prevenção à Aids.

Na TV Globo participou de diversas séries jornalísticas sobre corpo humano, primeiros socorros, gravidez, combate ao tabagismo, planejamento familiar e transplantes, entre outras.

Em 1989, iniciou um trabalho de pesquisa sobre a prevalência do vírus HIV na população carcerária da Casa de Detenção do Carandiru. Daquele ano, até a desativação do presídio, em setembro de 2002, trabalhou como médico voluntário. Atualmente, faz o mesmo trabalho na Penitenciária Feminina de São Paulo.

Na Amazônia, região do baixo Rio Negro, Drauzio Varella dirige um projeto de bioprospecção de plantas brasileiras com o intuito de obter extratos para testá-los experimentalmente em células tumorais malignas e bactérias resistentes aos antibióticos. Esse projeto, apoiado pela Fapesp, é realizado nos laboratórios da Universidade Paulista (UNIP) em colaboração com o Hospital Sírio-Libanês.

Drauzio Varella também tem uma passagem por Osasco. Quando tinha 11 anos, trabalhou em um dos cinemas da cidade, ajudando a tia na venda de guloseimas.

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